Herberto, um português conhecedor dos caretos desde há muitos anos. E como esta é uma tradição de Carnaval bem portuguesa, quisemos ficar a saber um pouco mais sobre a mesma com quem ‘sabe do que fala’.

P: Já assistiu a algum desfile de caretos? Como foi?
R: Sim, claro, sendo de Mirandela, no Carnaval, somos frequentadores habituais de Podence e era impossível nunca ter visto tal desfile. É muito interessante, eles comunicam entre si e com os espectadores apenas com uma linguagem que ninguém entende. Correm atrás de todos, dançam e saltam como verdadeiros loucos e causam uma certa desordem, mas ninguém arreda pé dali. Os fatos e as máscaras são muito coloridos e vão passando de geração em geração, não se compram ou fazem novos todos os anos. Também não há um tema, é sempre igual, mas sempre diferente ao mesmo tempo!

P: Já conheceu pessoalmente algum deles? Se sim, como foi?
R: Sim. Uma vez conheci um senhor com 80 anos que já era careto no Carnaval há mais de 40 anos, vê lá tu! Contou-me que herdou o traje do seu pai, e que o seu pai já o tinha herdado do seu avô. Já tinha feito algumas costuras no fato, claro… Foi muito interessante, porque vi que ele, como já sentia alguma falta daquela energia, queria passar o fato a alguém, mas só tinha filhas! Sabem que os caretos são sempre homens…

P: Gostarias de ser um careto? Por que razão?
R: Sim, pelo menos naqueles dias podemos correr que nem loucos, gritar, abraçar as pessoas, cantar alto, e fazer o que ninguém normalmente faz, e ninguém nos ralha! O Carnaval é isso mesmo, não é? Ninguém leva a mal! Como só tenho os fins de semana para ir à terra, penso que nunca poderei ser um careto, pois é preciso mais comprometimento, mas admiro muito as pessoas da terra, que não deixam que a tradição se perca. É graças a elas que também tu e os teus colegas estão a fazer um trabalho sobre este assunto.